terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ceia de Natal e o peru tradicional - os preparativos e tradição



Ceia de Natal e o peru tradicional

A tradição do meu país de origem, o Paraguai, e no Brasil, onde moro há muitos anos, recomenda-se que a mesa de Natal tenha um peru dourado no forno, recheado e enfeitado ricamente com frutas ou farofa. Ele reina como prato principal da mesa.
O clima festivo nesta época nos estimula a comer bem. A carne dessa ave muito saborosa se presta como poucas a assados maravilhosos.
Nos Estados Unidos, o peru estreou em grande estilo nos banquetes das festas de “Thanksgiving Day” (Dia de Ação de Graças), comemorada há quase 4 séculos.
No final do século XIX, essa tradição chegou no Brasil e em quase toda a América Latina, além da Inglaterra. O peru é preparado com variantes da culinária típica de cada país.
Cristóvão Colombo deparou-se numa de suas viagens à América Central, no litoral de Honduras, com uma ave estranha que chamou de ave da Índia, por acreditar ter chegada à Índia. A ave chegou à Espanha, enviada pelo conquistador Hernán Cortés, por volta de 1.519. Logo foi introduzida na Inglaterra. Fez sua grande estréia no banquete de casamento do rei francês Carlos IX, filho da Catherine de Medici. Os monges jesuítas foram os encarregados de difundi-lo naquele país.
Na véspera do Natal estamos todos preparando a ceia com o indispensável peru natalino.



Preparativos de uma ceia de Natal, na cozinha da minha mãe “Martha”


Vem à minha lembrança, o aroma da cozinha da minha mãe, Martha, exímia cozinheira e especialista em preparar o tradicional peru, prato tão especial e apreciado por todos na família.
Na cozinha, durante a preparação, minha mãe tinha ao seu lado meu pai Hugo, quem nada entendia desses afazeres, entretanto a companhia dele era imprescindível. Lá estava também eu e minha irmã Susana, que ajudávamos nas tarefas que podíamos. Éramos uma espécie de assistentes oficiais da cheff . Meus irmãos eram os encarregados das bebidas. Montavam o bar e punham no gelo as bebidas. Durante as longas horas, papai, que entrava e saía da cozinha, alegrava o ambiente contando para nós as novidades que se passavam. Entre um gole e outro de uma bebida gelada, pois fazia muito calor, o verão estava no início, e a cozinha fervia em movimento e temperatura.
Minha mãe desenvolveu uma técnica própria: desossava o peru, fazendo uso de um bisturi (instrumento médico para cirurgias)! Logo recheava-o com as melhores iguarias e especiarias, embrulhava-o com um pano limpíssimo e o costurava para assá-lo no forno por horas e horas seguidas a fogo baixo, molhando de vez em quando com o molho previamente preparado à base de laranja e conhaque.
A casa toda ficava impregnada do aroma desprendido do forno. Até hoje posso sentí-lo. Basta fechar os olhos. O cheiro fazia com que cada um de nós, integrantes da vasta família de 6 irmãos (4 homens e 2 mulheres), além do nosso pai, aguçármos o paladar para a ceia, que estava sendo preparada com tanto amor e dedicação pela nossa amorosa mãe.
Esse peru só tínhamos no Natal. Depois, era esperar pelo próximo ano.
Uma vez assado o peru, deixávamos que esfriasse, sem esquecer (é claro) do gatinho "Michi" do meu irmão caçula Marcelo, que rondava serelepe com o rabinho para cima, tentando tirar proveito de um minuto de desatenção para fisgar um pedaço do delicioso peru. Então, tirávamos o pano, que tinha sido costurado, para logo fatiar o peru, como só minha mãe sabia fazê-lo. A seguir, o colocávamos numa grande travessa de prata, onde  decorávamos com muito prazer deixando fluir a imaginação. Finalmente estava pronto!
Na mesa, o peru reinava absoluto ao lado de outras delícias, sem que nenhuma delas fizesse concorrência ao mesmo..
Os meus filhos e sobrinhos também cresceram vivenciando esse ritual tão próprio da nossa família.
Chegada a hora da ceia, com todos os convidados reunidos: avós; tios; primos; irmãos; filhos e netos, sempre era a minha mãe, toda arrumada, coquete e linda, quem servia a primeira fatia ao meu orgulhoso pai, que esperava sorridente. Entendo que era esta a maneira peculiar de manifestar o seu amor e carinho para com ele, o mais entusiasta e admirador incondicional das prendas culinárias da sua amada Martha.
Meu pai, depois de saborear a primeira garfada, qualificava-o dando nota. Para alegria geral, ganhava invariavelmente 10 pontos, merecidos.
Oficialmente, dávamos início ao jantar tão longamente esperado por todos no meio do reboliço próprio de alegria e clima de festa de uma numerosa família.
Hoje na minha casa, o peru não pode faltar à mesa. As saudades aumentam nesta época de Natal. Encontramos no calor da família o conforto para superar as saudades daqueles que já se foram, mas que deixaram a sua própria marca registrada em nossas memórias, até nos pequenos detalhes.
Assim aprendemos, eu e meus irmãos, o verdadeiro espírito natalino, de alegria e paz. Foi no cerne de uma família, com os nossos dedicados pais, que souberam praticar o amor em toda a sua extensão.
É tempo de Natal, de lembrar e de compartilhar o que temos de melhor.
Paz e Amor em todos os lares e que o verdadeiro espírito do Senhor Jesus inunde todos os corações.
A todos, um Feliz Natal!!



Em pé, a partir da esquerda, meus irmãos: Marcelo, Hugo, Pedro e Jorge.
Embaixo, a partir da esquerda: Eu, minha mãe Martha e a minha irmã Susana.

6 comentários:

  1. Mãe, parabéns pelo seu blog e sucesso, você merece!
    beijos,
    te amo,
    Karin

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  2. Ei mãe da Karin adorei seu blog, muito gostoso de ler, gostei mesmo, dá uma outra visitinha lá No SuperNany e me segue pq eu já estou te seguindo,bjokas!

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  3. Jorge Saldivar Galli23 de dezembro de 2009 19:15

    Que lindo Tia Marthi!!, me encantó por sobre todo hacer memoria de esos momentos tan hermosos de nuestras vidas! redeados de abuelo y abuela que hoy ya no estan pero que seguro desde arriba y de alguna manera siguen compartiendo cada navidad con nosotros!

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  4. Eliane visitei seu blog e achei interesantíssimo, você é linda, jovem e divertida, além de muito inteligente, sempre estarei te visitando, continua assim
    Um beijo grande querida.
    Marthi.

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  5. Jorgito mi queridísimo sobrino, gracias por tu comentario y claro que la vida de tus abuelos siempre seran una inspiración para todos nosotros los hijos, uds los nietos y las generaciones que estan llegando, los bisnietos que ya son 3!!!!!
    Te amo, tia Marthi.

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  6. karin querida, seu insentivo foi o meu principal empuje, sem você seria diferente. O seu trabalho e esforço foram um exemplo para mim, continua crescendo e se aprimorando, vocè é muito especial!!!

    Con amor, Mami.

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